Museu de Imagens do Inconsciente

O Museu de Imagens do Inconsciente, popularmente conhecido como Museu da Nise da Silveira, fica localizado no bairro de Engenho de Dentro – RJ e tem como referência a médica psiquiatra Nise da Silveira (1905 – 1999), que ao se recusar aceitar o modo violento como os doentes eram tratados, procurou por alternativas e criou a Seção de Terapêutica Ocupacional. Estudou os movimentos relacionados à Terapia Ocupacional (cursos universitários em TO ainda não existiam naquela época), aliando-os aos tratados da psiquiatria clássica. Mas foi com a Psicologia Analítica, desenvolvida por C. G. Jung, que Nise da Silveira identificou os fundamentos teóricos que a ajudariam a compor seu trabalho no hospital.

O que algumas pessoas não sabem é que a ideia de um ateliê de pintura para os internos do hospital foi proposta à psiquiatra por Almir Mavignier, um pintor e artista gráfico brasileiro que viveu muitos anos na Alemanha. Nise aprovou e confessou que só ainda não o havia feito por falta de um funcionário habilitado para ficar responsável. Juntamente, eles fundam em 1946, dentro do Centro Psiquiátrico do Engenho de Dentro a “Seção de Terapêutica Ocupacional”. Foram os trabalhos dessa seção com os pacientes ditos “loucos” que deram início ao Museu.

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Almir passou a se comunicar com enfermeiros e atendentes do hospital sobre aqueles pacientes que tinham interesse em pintar. Dessa forma, descobriu vários artistas nos seis anos que trabalhou no hospital.

Os “frutos” produzidos por este departamento favoreceram abundantemente o tratamento psiquiátrico e ainda despertaram interesse científico, alcançando posicionamento singular. A sensibilidade artística de Almir se complementava a sensibilidade terapêutica de Nise.

O ateliê era uma oficina coletiva, onde os pacientes passavam a maior parte de seu tempo.  Ao observarmos as obras produzidas pelos internos notamos não apenas as disparidades que cada um carregava em sua personalidade, mas também seu imenso potencial e talento. Pelo que podemos observar nas biografias, esses artistas eram em sua maioria portadores de uma história infeliz e muitas vezes conturbada. Eram, no entanto, pessoas comuns, internadas, solitárias, mal compreendidas, cheias de talento e vontade de se expressar – qualidades que podem ser observadas através das obras expostas no Museu.

Como destaque citamos as obras de Rafhael Domingues, internado aos 19 anos no hospital da Praia Vermelha, em 1946. Era um rapaz tímido, sensível e retraído. No ateliê a forma gentil como era tratado o fez desenvolver uma força criadora, e participou de exposições no Brasil e exterior. Outra paciente foi Adelina Gomes, aos 18 anos, apaixonada por um homem que não foi aceito por sua família, se tornou retraída. Internada aos 21 anos, começou a frequentar a oficina nove anos após a internação e começou a se expressar com barro. Através de suas obras podemos observar as mudanças que ocorreram em sua vida. Também podem ser vistas as obras de Isaac Liberato, filho de um rico negociante, internado aos 24 anos. Outro paciente que chamou a atenção foi Fernando Diniz, que teve sua primeira internação em 1944, aos 26 anos sob a alegação de estar nadando despido na Praia de Copacabana. Cinco anos depois passou a frequentar o atelier e produziu mais de 30 mil obras. No museu observamos ainda as obras de Emygdio de Barros, paciente que demonstrou desde a sua triste e tímida infância uma grande habilidade manual que surpreendia a todos. Para Almir, seu trabalho se assemelhava muito ao impressionismo, possivelmente influenciado por sua estadia de 2 anos na França, para onde ele foi enviado enquanto trabalhava no arsenal da marinha. Suas obras, desmentindo os preconceitos dominantes na psiquiatria, foram desde logo aceitas no mundo da arte.

blog 2 - jose goulart             blog5 - isaac liberato

Ao visitar o Museu, é impossível não se encantar com as obras que se originaram nos ateliês de modelagem e pintura. Obras e histórias que tocam ao expectador sensível ao ser humano na sua realidade crua. Nise da Silveira deixou suas palavras registradas sobre o seu sentimento e função do atelier:

 “Um dos caminhos menos difíceis que encontrei para o acesso ao mundo interno do esquizofrênico foi dar-lhe oportunidade de desenhar, pintar ou modelar com toda a liberdade. Nas imagens assim configuradas temos autorretratos da situação psiquiátrica, imagens muitas vezes fragmentadas, extravagantes, mas que ficam aprisionadas no papel, na tela ou no barro. Podemos sempre voltar a estuda-las. Foi estudando-os e as imagens que configuravam, que aprendi a respeita-los como pessoas, e desaprendi muito do que havia aprendido na psiquiatria tradicional. Minha escola foram esses ateliês.” 

 Assim surgiu a ideia de reunir as obras feitas pelos internos em um museu, favorecendo  estudos a partir das imagens, condicionando um acompanhamento do paciente observando suas evoluções. Foi então inaugurado o Museu de Imagens do Inconsciente – um pequeno ambiente repleto de histórias, dores, alegrias e muito talento criativo. Com o tempo o museu foi tomando proporções ainda maiores, deixando de ser apenas um local fixo no RJ para se tornar reconhecido no Brasil e no exterior.

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(Áquila Oliveira, Renata Oliveira e Vanessa Antunes – Estudantes de T.O.)

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I Seminário dos Serviços Residenciais Terapêuticos do RJ

I Seminario Serviços Terapeutico

VER-SUS

Estou abertas as inscrições para o VER-SUS do verão de 2013.

O VER-SUS é uma proposta do Ministério da Saude juntamente com outros órgãos que propoe realizar estágios de vivência no SUS para alunos universitários.
Por meio do VER-SUS é possível se experimentar o funcionamento do nosso Sistema Unico de Saude, estimular os estudantes nesse campo de atuação e contribuir para o amadurecimento tanto dos futuros profissionais de saude quanto do próprio SUS.

As inscrições podem ser feitas através do site no período entre 08 e 30 de março de 2013.

http://versus.otics.org/versus-1/apresentacao

Autonomia

Eu estava aqui pensando no que escrever? Fui assistir uns vídeos de T.O e um deles me inspirou profundamente, então pensei AUTONOMIA, é isso mesmo, então fui fazer uma breve entrevista com algumas pessoas (como minha mãe, meu irmão, irmã e até minha priminha de 4 aninhos deu sua opinião) sobre o que seria a autonomia do ponto de vista deles…

As respostas já eram esperadas, mas é interessante descobrir que todos nós temos algo que gostamos de fazer sem depender de alguém para nos guiar ou auxiliar, coisas simples talvez, mas que conotam um belo significado para muitas pessoas e também ajudam a dar um significado a suas vidas.

Bom, as perguntas foram simples, “o que seria autonomia pra você?”, “o que você mais gosta de fazer?”, “o que você não gostaria que fizessem por você?”, mostrarei algumas das respostas…

Minha mãe respondeu: “Autonomia pra mim é não depender de outras pessoas pra fazer minhas coisas pessoais”;

E deu exemplos do que ela gosta de fazer..

-Pagar minhas contas;

– Gosto de arrumar e limpar minha casa.

Existem fazeres de nossas vidas nos quais somos insubstituíveis, mas por serem tão rotineiros e muitos de nós não possuirmos nenhuma deficiência que nos atrapalhe em sua execução, acabamos por não dar valor as pequenas coisas, coisas que muitas outras pessoas dariam tudo pra fazê-las com o mínimo de autonomia.

É aí que Terapeutas Ocupacionais entram, eles ajudam a dar o máximo possível de independência ao paciente lhe devolvendo o direito de ser o sujeito em suas ocupações. Para tratar um paciente é preciso saber e entender qual a sua rotina e cotidiano pra inferir quais meios de utilização serão necessários para que ele consiga conviver com as demais pessoas e estar mais bem instalado em sua cultura não se sentindo em hipótese alguma excluído de uma forma geral; para atuar em sua rotina o que o profissional precisa saber sobre o paciente são os seus afazeres caseiros como lavar louça, tomar banho, escovar os dentes, se vestir e etc.. que são chamados AVD’s (atividades de vida diária), já no cotidiano o que se estuda sobre esse paciente é o meio geográfico, social e financeiro no qual esse sujeito está inserido, compreendendo suas limitações financeiras, cultura e até opções de lazer como: a cidade em que ele mora, quais são a opções de lazer do lugar, com quais pessoas ele tem um convívio social e etc. Os T.O’s juntamente com o paciente podem também descobrir juntos um meio de o mesmo ter uma fonte de renda utilizando a capacidade inventiva e original que possui, melhorando assim sua qualidade de vida gerando uma melhor condição financeira e aumentando sua auto estima.

Imaginem só alguém que até então nunca conseguiu tomar seu próprio banho sozinho de repente ter suas condições físicas melhoradas e conseguir tomar seu banho sem a ajuda de ninguém! Simplesmente incomparável a sensação e percepção que esse sujeito teria ao executar essa tarefa que antes pra ele era praticamente impossível.

Para muitos de nós alguns avanços e melhoras são pequenos demais e chegam a ser insignificantes, mas para outros um pequeno passo é algo grandioso. A Terapia Ocupacional compreende o significado e a importância disso e através de órteses, exercícios e muitos outros meios criativos procura oferecer essa AUTONOMIA de acordo com cada paciente e suas limitações trazendo de volta o sorriso em seus rostos de modo que até o profissional atuante sente uma gratificação ímpar.

“Ninguém é sujeito da autonomia de ninguém.”
(Paulo Freire)

Renata Dutra..

Graças à Terapia Ocupacional

Ao nos depararmos inicialmente com a expressão “Terapia Ocupacional” todos nós sentimos certo estranhamento – sejamos nós ingressantes no ensino superior, familiares de estudantes e profissionais da área ou mesmo alguém que apenas ouviu falar sobre essa profissão em algum meio de comunicação. Até mesmo a Terapeuta Ocupacional e doutora em saúde mental, Maria Heloisa da Rocha Medeiros, em seu livro Terapia Ocupacional – um enfoque epistemológico e social, reconhece que mal sabia o que era essa profissão (pag. 20).

Da mesma forma, muitos acham que ser Terapeuta Ocupacional é ser artesão ou ser babá de gente doente. Creio que poucos comentários distorçam mais a competência desse profissional do que dizer que “terapia ocupacional é ocupar o tempo das pessoas”. Muito ainda há que se vencer contra a falta de informação e o preconceito em torno da profissão, tanto dentro das universidades e das instituições, quanto na mídia e no senso comum. É por isso que resolvemos falar sobre a nossa querida Terapia Ocupacional e divulga-la.

Usando ainda como ponte o livro de Medeiros, reconhecemos aqui o valor do trabalho desse profissional:

Mesmo aplicando uma atividade aparentemente “simples”, o terapeuta ocupacional está veiculando um saber e os valores ideológicos e normativos implícitos a ele; está sendo um agente social (pag. 33).

A atuação do TO baseia-se na análise, adaptação e o uso de atividades e no entendimento amplo da ocupação humana, diferenciando-se, portanto, de qualquer outro campo da saúde, como a fisioterapia, a psicologia ou o serviço social, por exemplo, como é comum de se pensar inicialmente. Ela leva em consideração não apenas os aspectos físicos e motores do paciente, mas também cognitivos, psicológicos, sensoriais, mentais, emocionais e sociais. Não visa apenas à cura ou o tratamento de uma deficiência, mas também o bem-estar do individuo, suas limitações, seus medos, desejos, suas necessidades cotidianas, sua autonomia, seus papéis ocupacionais, sua inserção/reinserção no convívio social, sua relação com o outro (no ambiente familiar, de escola/trabalho, lazer) e etc.

Aparentemente uma profissão simples e pouco conhecida, a Terapia Ocupacional tem a capacidade de transformar a vida das pessoas.
Para ilustrar, abaixo segue um vídeo chamado Because of Occupational Therapy traduzido do inglês. Peço que por gentileza desconsiderem quaisquer erros nas legendas.

“Todos nós temos objetivos na vida – coisas que precisamos e queremos fazer
Às vezes, coisas interferem nos nossos objetivos.
Eventos da vida podem fazer nossos objetivos parecerem impossíveis

Eu amo jardinagem, mas isso (se tornou) difícil porque eu tenho artrite.
Eu quero dirigir meu carro, mas eu não posso mais depois do meu derrame cerebral.
Eu preciso encontrar um emprego, mas isso tem sido desafiador desde que eu fui diagnosticado com esquizofrenia.
Eu quero fazer novos amigos, mas isso é difícil porque eu tenho autismo.
Eu preciso me vestir pela manhã, mas a articulação do meu quadril foi substituída e eu não posso me inclinar pra frente.
Eu tenho dificuldades em gerenciar minhas responsabilidades por causa do meu mal de Alzheimer
Não tenho sido capaz de andar na minha bicicleta desde que eu tive uma lesão cerebral
Eu preciso fazer as minhas compras no supermercado, mas é difícil lembrar depois que eu tive demência.
É difícil tomar conta do meu bebê por causa da minha sindrome do dedo roxo
Eu preciso caminhar com meu cachorro, mas eu tenho esclerose múltipla.
Eu quero tocar meu violão, mas meu braço direito é amputado.
Eu tenho uma lesão da coluna vertebral, mas eu quero morar sozinho.

Meu terapeuta ocupacional me ajudou a atingir este objetivo
Terapeutas ocupacionais ajudam pessoas a achar as ferramentas e as estratégias que elas precisam para superar as barreiras, como doenças e deficiências, e alcançar seus objetivos.
Agora eu posso morar sozinho
Eu estou aprendendo a tocar violão
Eu posso caminhar com o meu cachorro
Eu posso tomar conta do meu bebê novamente
Eu estou apto para fazer as minhas comprar no supermercado sozinho
Eu posso andar na minha bicicleta especial
Eu estou me esforçando em gerenciar as minhas responsabilidades
Agora eu posso me vestir sozinha
Eu estou fazendo novos amigos

Eu estou trabalhando com meu terapeuta ocupacional para encontrar o trabalho certo para mim
Meu terapeuta ocupacional me ajudou a dirigir novamente
Eu tenho um jardim agora

Graças à Terapia Ocupacional… Eu posso!”

Áquila Oliveira – Estudante de T.O.

Você sabe o que Terapia Ocupacional?

Esse vídeo foi colocado no youtube por Mayara Miranda Calabrez e Amanda Garcia Paulino.
Orientado por Solange Aparecida Tedesco.

Terapia Ocupacional

Terapia Ocupacional - OMS
Acima, uma definição sobre o que é Terapia Ocupacional, segundo a Organização Mundial de Saude