Arquivo da categoria: Terapia Ocupacional

Diferença entre Terapia Ocupacional e Fisioterapia

É muito comum confundirmos ou ouvirmos falar da confusão entre Terapia Ocupacional e outras profissões, especialmente com a Fisioterapia e a Psicologia. Nesse post irei abordar um pouco sobre a diferença entre a T.O. e a Fisio.

Tanto a Terapia Ocupacional quanto a Fisioterapia são áreas da saúde, de formação de nível superior.  Possuem em comum alguns conselhos que regulamentam e orientam a atuação dos profissionais, como o CREFITO (Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional) e o COFFITO (Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional). Uma pessoa pode se tratar com um fisio ou um T.O. para tratar o mesmo problema ou problemas distintos. Essas profissões cuidam da saúde de formas diferentes e complementares. Ambas podem ser encontradas nos serviços do SUS.

A T.O. trabalha especialmente com atividades do cotidiano e produtivas (como escovar os dentes, vestir-se, relacionar-se com outros, trabalhar, dirigir e etc), visando possibilitar autonomia e melhor qualidade de vida. Ela compreende o ser humano de forma ampla e integral. Interessa-se pelo seu desenvolvimento motor, psicológico, cognitivo, sensorial, afetivo, individual e social – o que inclui seus sentimentos, desejos, decisões, habilidades, autocuidado, dentre outros. Preocupa-se ainda com a adaptação do sujeito para o local/contexto no qual ele está inserido e vice-versa. O terapeuta ocupacional é o profissional que analisa e planeja as atividades mais apropriadas para o paciente, respeitando sua situação clinica, seus papeis ocupacionais, faixa etária e formação pessoal, familiar e social.

A Fisioterapia trabalha com recursos físicos, especialmente com aqueles relacionados às alterações no movimento e suas consequências. Objetiva o melhor funcionamento do corpo, o que pode envolver tarefas simples ou complexas (como a respiração ou a locomoção, por exemplo). Trabalha com a prevenção e com tratamentos de saúde e utiliza principalmente conhecimentos de ordem biomecânica e cinética.

Segundo o site do CREFITO-2, o COFFITO define a Terapia ocupacional como uma área do conhecimento voltada aos estudos, à prevenção e ao tratamento de indivíduos portadores de alterações cognitivas, afetivas, perceptivas e psico-motoras, decorrentes ou não de distúrbios genéticos, traumáticos e/ou de doenças adquiridas, por meio da sistematização e utilização da atividade humana como base de desenvolvimento de projetos terapêuticos específicos. (…) A partir desta avaliação, traça o projeto terapêutico indicado; que deverá, resolutivamente, favorecer o desenvolvimento e/ou aprimoramento das capacidades psico-ocupacionais remanescentes e a melhoria do estado psicológico, social, laborativo e de lazer..” (http://www.crefito2.gov.br/terapia-ocupacional/definicao/–43.html),

E define a Fisioterapia como uma ciência da Saúde que estuda, previne e trata os distúrbios cinéticos funcionais intercorrentes em órgãos e sistemas do corpo humano, gerados por alterações genéticas, por traumas e por doenças adquiridas. Fundamenta suas ações em mecanismos terapêuticos próprios, sistematizados pelos estudos da Biologia, das ciências morfológicas, das ciências fisiológicas, das patologias, da bioquímica, da biofísica, da biomecânica, da cinesia, da sinergia funcional, e da cinesia patologia de órgãos e sistemas do corpo humano e as disciplinas comportamentais e sociais.” (http://www.crefito2.gov.br/fisioterapia/definicao/–32.html).

O seguinte vídeo mostra um fisioterapeuta falando da diferença entre essas duas maravilhosas profissões.

(Áquila Oliveira – estudante de T.O.)

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Museu de Imagens do Inconsciente

O Museu de Imagens do Inconsciente, popularmente conhecido como Museu da Nise da Silveira, fica localizado no bairro de Engenho de Dentro – RJ e tem como referência a médica psiquiatra Nise da Silveira (1905 – 1999), que ao se recusar aceitar o modo violento como os doentes eram tratados, procurou por alternativas e criou a Seção de Terapêutica Ocupacional. Estudou os movimentos relacionados à Terapia Ocupacional (cursos universitários em TO ainda não existiam naquela época), aliando-os aos tratados da psiquiatria clássica. Mas foi com a Psicologia Analítica, desenvolvida por C. G. Jung, que Nise da Silveira identificou os fundamentos teóricos que a ajudariam a compor seu trabalho no hospital.

O que algumas pessoas não sabem é que a ideia de um ateliê de pintura para os internos do hospital foi proposta à psiquiatra por Almir Mavignier, um pintor e artista gráfico brasileiro que viveu muitos anos na Alemanha. Nise aprovou e confessou que só ainda não o havia feito por falta de um funcionário habilitado para ficar responsável. Juntamente, eles fundam em 1946, dentro do Centro Psiquiátrico do Engenho de Dentro a “Seção de Terapêutica Ocupacional”. Foram os trabalhos dessa seção com os pacientes ditos “loucos” que deram início ao Museu.

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Almir passou a se comunicar com enfermeiros e atendentes do hospital sobre aqueles pacientes que tinham interesse em pintar. Dessa forma, descobriu vários artistas nos seis anos que trabalhou no hospital.

Os “frutos” produzidos por este departamento favoreceram abundantemente o tratamento psiquiátrico e ainda despertaram interesse científico, alcançando posicionamento singular. A sensibilidade artística de Almir se complementava a sensibilidade terapêutica de Nise.

O ateliê era uma oficina coletiva, onde os pacientes passavam a maior parte de seu tempo.  Ao observarmos as obras produzidas pelos internos notamos não apenas as disparidades que cada um carregava em sua personalidade, mas também seu imenso potencial e talento. Pelo que podemos observar nas biografias, esses artistas eram em sua maioria portadores de uma história infeliz e muitas vezes conturbada. Eram, no entanto, pessoas comuns, internadas, solitárias, mal compreendidas, cheias de talento e vontade de se expressar – qualidades que podem ser observadas através das obras expostas no Museu.

Como destaque citamos as obras de Rafhael Domingues, internado aos 19 anos no hospital da Praia Vermelha, em 1946. Era um rapaz tímido, sensível e retraído. No ateliê a forma gentil como era tratado o fez desenvolver uma força criadora, e participou de exposições no Brasil e exterior. Outra paciente foi Adelina Gomes, aos 18 anos, apaixonada por um homem que não foi aceito por sua família, se tornou retraída. Internada aos 21 anos, começou a frequentar a oficina nove anos após a internação e começou a se expressar com barro. Através de suas obras podemos observar as mudanças que ocorreram em sua vida. Também podem ser vistas as obras de Isaac Liberato, filho de um rico negociante, internado aos 24 anos. Outro paciente que chamou a atenção foi Fernando Diniz, que teve sua primeira internação em 1944, aos 26 anos sob a alegação de estar nadando despido na Praia de Copacabana. Cinco anos depois passou a frequentar o atelier e produziu mais de 30 mil obras. No museu observamos ainda as obras de Emygdio de Barros, paciente que demonstrou desde a sua triste e tímida infância uma grande habilidade manual que surpreendia a todos. Para Almir, seu trabalho se assemelhava muito ao impressionismo, possivelmente influenciado por sua estadia de 2 anos na França, para onde ele foi enviado enquanto trabalhava no arsenal da marinha. Suas obras, desmentindo os preconceitos dominantes na psiquiatria, foram desde logo aceitas no mundo da arte.

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Ao visitar o Museu, é impossível não se encantar com as obras que se originaram nos ateliês de modelagem e pintura. Obras e histórias que tocam ao expectador sensível ao ser humano na sua realidade crua. Nise da Silveira deixou suas palavras registradas sobre o seu sentimento e função do atelier:

 “Um dos caminhos menos difíceis que encontrei para o acesso ao mundo interno do esquizofrênico foi dar-lhe oportunidade de desenhar, pintar ou modelar com toda a liberdade. Nas imagens assim configuradas temos autorretratos da situação psiquiátrica, imagens muitas vezes fragmentadas, extravagantes, mas que ficam aprisionadas no papel, na tela ou no barro. Podemos sempre voltar a estuda-las. Foi estudando-os e as imagens que configuravam, que aprendi a respeita-los como pessoas, e desaprendi muito do que havia aprendido na psiquiatria tradicional. Minha escola foram esses ateliês.” 

 Assim surgiu a ideia de reunir as obras feitas pelos internos em um museu, favorecendo  estudos a partir das imagens, condicionando um acompanhamento do paciente observando suas evoluções. Foi então inaugurado o Museu de Imagens do Inconsciente – um pequeno ambiente repleto de histórias, dores, alegrias e muito talento criativo. Com o tempo o museu foi tomando proporções ainda maiores, deixando de ser apenas um local fixo no RJ para se tornar reconhecido no Brasil e no exterior.

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(Áquila Oliveira, Renata Oliveira e Vanessa Antunes – Estudantes de T.O.)

Graças à Terapia Ocupacional

Ao nos depararmos inicialmente com a expressão “Terapia Ocupacional” todos nós sentimos certo estranhamento – sejamos nós ingressantes no ensino superior, familiares de estudantes e profissionais da área ou mesmo alguém que apenas ouviu falar sobre essa profissão em algum meio de comunicação. Até mesmo a Terapeuta Ocupacional e doutora em saúde mental, Maria Heloisa da Rocha Medeiros, em seu livro Terapia Ocupacional – um enfoque epistemológico e social, reconhece que mal sabia o que era essa profissão (pag. 20).

Da mesma forma, muitos acham que ser Terapeuta Ocupacional é ser artesão ou ser babá de gente doente. Creio que poucos comentários distorçam mais a competência desse profissional do que dizer que “terapia ocupacional é ocupar o tempo das pessoas”. Muito ainda há que se vencer contra a falta de informação e o preconceito em torno da profissão, tanto dentro das universidades e das instituições, quanto na mídia e no senso comum. É por isso que resolvemos falar sobre a nossa querida Terapia Ocupacional e divulga-la.

Usando ainda como ponte o livro de Medeiros, reconhecemos aqui o valor do trabalho desse profissional:

Mesmo aplicando uma atividade aparentemente “simples”, o terapeuta ocupacional está veiculando um saber e os valores ideológicos e normativos implícitos a ele; está sendo um agente social (pag. 33).

A atuação do TO baseia-se na análise, adaptação e o uso de atividades e no entendimento amplo da ocupação humana, diferenciando-se, portanto, de qualquer outro campo da saúde, como a fisioterapia, a psicologia ou o serviço social, por exemplo, como é comum de se pensar inicialmente. Ela leva em consideração não apenas os aspectos físicos e motores do paciente, mas também cognitivos, psicológicos, sensoriais, mentais, emocionais e sociais. Não visa apenas à cura ou o tratamento de uma deficiência, mas também o bem-estar do individuo, suas limitações, seus medos, desejos, suas necessidades cotidianas, sua autonomia, seus papéis ocupacionais, sua inserção/reinserção no convívio social, sua relação com o outro (no ambiente familiar, de escola/trabalho, lazer) e etc.

Aparentemente uma profissão simples e pouco conhecida, a Terapia Ocupacional tem a capacidade de transformar a vida das pessoas.
Para ilustrar, abaixo segue um vídeo chamado Because of Occupational Therapy traduzido do inglês. Peço que por gentileza desconsiderem quaisquer erros nas legendas.

“Todos nós temos objetivos na vida – coisas que precisamos e queremos fazer
Às vezes, coisas interferem nos nossos objetivos.
Eventos da vida podem fazer nossos objetivos parecerem impossíveis

Eu amo jardinagem, mas isso (se tornou) difícil porque eu tenho artrite.
Eu quero dirigir meu carro, mas eu não posso mais depois do meu derrame cerebral.
Eu preciso encontrar um emprego, mas isso tem sido desafiador desde que eu fui diagnosticado com esquizofrenia.
Eu quero fazer novos amigos, mas isso é difícil porque eu tenho autismo.
Eu preciso me vestir pela manhã, mas a articulação do meu quadril foi substituída e eu não posso me inclinar pra frente.
Eu tenho dificuldades em gerenciar minhas responsabilidades por causa do meu mal de Alzheimer
Não tenho sido capaz de andar na minha bicicleta desde que eu tive uma lesão cerebral
Eu preciso fazer as minhas compras no supermercado, mas é difícil lembrar depois que eu tive demência.
É difícil tomar conta do meu bebê por causa da minha sindrome do dedo roxo
Eu preciso caminhar com meu cachorro, mas eu tenho esclerose múltipla.
Eu quero tocar meu violão, mas meu braço direito é amputado.
Eu tenho uma lesão da coluna vertebral, mas eu quero morar sozinho.

Meu terapeuta ocupacional me ajudou a atingir este objetivo
Terapeutas ocupacionais ajudam pessoas a achar as ferramentas e as estratégias que elas precisam para superar as barreiras, como doenças e deficiências, e alcançar seus objetivos.
Agora eu posso morar sozinho
Eu estou aprendendo a tocar violão
Eu posso caminhar com o meu cachorro
Eu posso tomar conta do meu bebê novamente
Eu estou apto para fazer as minhas comprar no supermercado sozinho
Eu posso andar na minha bicicleta especial
Eu estou me esforçando em gerenciar as minhas responsabilidades
Agora eu posso me vestir sozinha
Eu estou fazendo novos amigos

Eu estou trabalhando com meu terapeuta ocupacional para encontrar o trabalho certo para mim
Meu terapeuta ocupacional me ajudou a dirigir novamente
Eu tenho um jardim agora

Graças à Terapia Ocupacional… Eu posso!”

Áquila Oliveira – Estudante de T.O.

Você sabe o que Terapia Ocupacional?

Esse vídeo foi colocado no youtube por Mayara Miranda Calabrez e Amanda Garcia Paulino.
Orientado por Solange Aparecida Tedesco.

Terapia Ocupacional

Terapia Ocupacional - OMS
Acima, uma definição sobre o que é Terapia Ocupacional, segundo a Organização Mundial de Saude