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Autonomia

Eu estava aqui pensando no que escrever? Fui assistir uns vídeos de T.O e um deles me inspirou profundamente, então pensei AUTONOMIA, é isso mesmo, então fui fazer uma breve entrevista com algumas pessoas (como minha mãe, meu irmão, irmã e até minha priminha de 4 aninhos deu sua opinião) sobre o que seria a autonomia do ponto de vista deles…

As respostas já eram esperadas, mas é interessante descobrir que todos nós temos algo que gostamos de fazer sem depender de alguém para nos guiar ou auxiliar, coisas simples talvez, mas que conotam um belo significado para muitas pessoas e também ajudam a dar um significado a suas vidas.

Bom, as perguntas foram simples, “o que seria autonomia pra você?”, “o que você mais gosta de fazer?”, “o que você não gostaria que fizessem por você?”, mostrarei algumas das respostas…

Minha mãe respondeu: “Autonomia pra mim é não depender de outras pessoas pra fazer minhas coisas pessoais”;

E deu exemplos do que ela gosta de fazer..

-Pagar minhas contas;

– Gosto de arrumar e limpar minha casa.

Existem fazeres de nossas vidas nos quais somos insubstituíveis, mas por serem tão rotineiros e muitos de nós não possuirmos nenhuma deficiência que nos atrapalhe em sua execução, acabamos por não dar valor as pequenas coisas, coisas que muitas outras pessoas dariam tudo pra fazê-las com o mínimo de autonomia.

É aí que Terapeutas Ocupacionais entram, eles ajudam a dar o máximo possível de independência ao paciente lhe devolvendo o direito de ser o sujeito em suas ocupações. Para tratar um paciente é preciso saber e entender qual a sua rotina e cotidiano pra inferir quais meios de utilização serão necessários para que ele consiga conviver com as demais pessoas e estar mais bem instalado em sua cultura não se sentindo em hipótese alguma excluído de uma forma geral; para atuar em sua rotina o que o profissional precisa saber sobre o paciente são os seus afazeres caseiros como lavar louça, tomar banho, escovar os dentes, se vestir e etc.. que são chamados AVD’s (atividades de vida diária), já no cotidiano o que se estuda sobre esse paciente é o meio geográfico, social e financeiro no qual esse sujeito está inserido, compreendendo suas limitações financeiras, cultura e até opções de lazer como: a cidade em que ele mora, quais são a opções de lazer do lugar, com quais pessoas ele tem um convívio social e etc. Os T.O’s juntamente com o paciente podem também descobrir juntos um meio de o mesmo ter uma fonte de renda utilizando a capacidade inventiva e original que possui, melhorando assim sua qualidade de vida gerando uma melhor condição financeira e aumentando sua auto estima.

Imaginem só alguém que até então nunca conseguiu tomar seu próprio banho sozinho de repente ter suas condições físicas melhoradas e conseguir tomar seu banho sem a ajuda de ninguém! Simplesmente incomparável a sensação e percepção que esse sujeito teria ao executar essa tarefa que antes pra ele era praticamente impossível.

Para muitos de nós alguns avanços e melhoras são pequenos demais e chegam a ser insignificantes, mas para outros um pequeno passo é algo grandioso. A Terapia Ocupacional compreende o significado e a importância disso e através de órteses, exercícios e muitos outros meios criativos procura oferecer essa AUTONOMIA de acordo com cada paciente e suas limitações trazendo de volta o sorriso em seus rostos de modo que até o profissional atuante sente uma gratificação ímpar.

“Ninguém é sujeito da autonomia de ninguém.”
(Paulo Freire)

Renata Dutra..

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